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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Repugnância

Se as pessoas soubessem como reclamar da vida é tão repugnante, teriam feito como eu e se entregado aos dias, não aos problemas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Passividade

De tudo que se vive

Não se quer viver, ou quer.

De tudo que se sabe

Não quer saber, ou quer.

A vida é assim

Existem três vozes:

Ativa, reflexiva e passiva.

Ser ativo é viver

Assumir os riscos

Escolher sempre.

Ser reflexivo é sonhar

Pensar, imaginar

E ficar em seu mundo subjetivo.

E ser passivo?

Ser passivo não é ser nada

É andar sem escolher andar

Não saber escolher o sabor

É viver sem saber por que

Ficar parado,

Sem saber para onde ir,

Ou não querer saber, tanto faz.

Quem se importa?

Se tem uma rima perfeita

Para a palavra infelicidade

Essa é passividade.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Desmotivação

As pessoas me cansam

As pessoas me motivam

E eu me canso das pessoas,

Dos motivos.

sábado, 26 de junho de 2010

Sexagenarismo (ou Intensidade II)

Não parece mais necessário. Útil. Daquelas sensações que se tem de viver para dizer estar vivendo. É estranho isso. Não sinto falta. Estou tão protegido de tudo que nada me afeta. Nem o que era para me afetar. Nem o que já me afetou muito. Estou em outro plano. Onde não sofro com problemas aquém de mim. Meu mundo está tão grande. Minha vida, tão forte. Densa. Concreta. Que não me submeto a certos fatos superficiais. Por mais que eles tenham sido profundos outrora. É interessante ver como as perspectivas mudam em tão pouco tempo. Esse amadurecimento (talvez precoce) que tenho vivido amplia as possibilidades. Todas. Vejo, agora, que tenho alguns mundos possíveis, e eu posso escolher em qual habitar. Passar a semana em um. O feriado em outro. Uma noite tenra e intensa num terceiro. Só cabe a mim fazer a escolha. E por que todo esse poder? Porque a vida nos envelhece no mais especial sentido da palavra. E isso basta. Não velho com artroses, sim, velho com sabedoria. Para falar a verdade essa palavra soa tão pesada que quem me ouvir falando assim pode não imaginar que mal cheguei aos vinte e dois. É possível, no entanto, sentir-se experiente e calejado o bastante com pouca idade também. Ainda sou um moleque. Tenho, contudo, uma vida de gente grande. E é bom transitar pelos dois mundos. E ver, principalmente, que tenho muito a analisar sobre a vida. Confesso que o meu maior medo, e talvez o único, é me imaginar com sessenta, pois não imagino o que farei com tanta informação. Tomara que até lá eu consiga desenvolver um software tão potente como àqueles da Macintosh, a fim de não deixar nada sem registro, como tenho conseguido fazer atualmente.

domingo, 20 de junho de 2010

Dicotomias

Gosto do passado. Gosto do gosto que ele me traz. Das lembranças. Dos sorrisos. Das purezas.
Não gosto do passado. Não gosto da dor que ele traz. Dos insucessos. Dos pensamentos.
Gosto do futuro. Gosto de seus anseios. Das incertezas. Dos sucessos.
Gosto do presente. Gosto do prazer que é vive-lo. Do imediatismo. Da intensidade. Do real.
Não gosto quando o passado invade o presente e o deixa sem futuro.
Ou talvez goste, devido a sua total insanidade e improbabilidade.
Gosto é uma questão de vontade.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Intensidade

Qual foi o melhor momento da sua vida?
Um pergunta um tanto pretensiosa, eu diria. Depois de viver um bocado de vida, no entanto, posso afirmar, indubitavelmente, que o melhor momento de toda nossa vida é o agora. Sei que pode parecer piegas, mas se assumimos o que nós somos, o que nós temos e, principalmente, o que fazemos para viver de fato, tudo fica simples. Viver é simplório por demasia. É só, realmente, querer viver. Descobri isso há pouquíssimo tempo, contudo, sempre tive esse pensamento e fazia questão de resistir a ele. Quando aos quinze escrevi : “Acho que sou diferente de tudo e de todos, pois eu não busco pessoas para me fazer feliz, sinto que minha felicidade só depende de mim e que a tal felicidade está em pequenos gestos que me fazem único, independente de números, estatísticas ou míseros pensamentos alheios.” Não tinha noção do rumo que tomaria minha vida. Hoje, percebo que eu estava certo o tempo todo. Pena que não assumi isso antes. A minha felicidade, realização e meu bem-estar, só dependem de mim. Não adianta ficar querendo achar motivos para se dizer feliz. Eu sou feliz e muito, só pelo fato de viver. Tenho a vida que sempre quis. Faço o que eu quiser fazer, no momento em que quiser fazer. Sem ter que pensar em ninguém. Isso é intenso. Não que eu seja egoísta, mas estou vivendo para mim, só para mim, e, no meu ponto de vista, essa é a chave do sucesso. Quando assumo as rédeas da minha vida, fica tudo ridiculamente fácil. Até dói de tanta intensidade. Uma dor gostosa. De arrepiar. Só por saber que cada dia está sendo esgotado em sua capacidade de servir a mim. Nenhum dia passa sem que eu note. Todos são sentidos. São tocados. São, acima de tudo, vividos. E tudo isso, porque assumi a postura de viver as minhas escolhas. Afinal, se não as vivesse estaria morrendo por idiota vontade e prepotência. Então, viva as suas escolhas e verá como o melhor momento da sua vida será constante. A intensidade é a alma da vida.

domingo, 21 de junho de 2009

Banco da praça

Sentado, aqui no banco da praça em que fui outrora tão intenso, faço reflexões sobre a vida. Penso que talvez não fosse a hora certa de assumir tantas responsabilidades. Estou no início da vida e já tenho que ser comparado com grandes mestres, e, claro, sou crucificado por não ter a sabedoria que eles têm. Confesso um pouco de soberba quando quis assumir desafios de gente grande. Mesmo não sendo gente grande. Sou uma pessoa em formação. Porém tenho que transparecer um grande experto naquilo que me propus fazer. Contudo, as pessoas, aos poucos, vão percebendo que sou igual a todos e talvez eu não mereça estar onde estou.
O mundo é muito inseguro. No mesmo instante em que sou confiante estou pequeno. Grande por fora, mas pequeno por dentro. Agora me diga: por que eu fui o escolhido dentre os meus contemporâneos para pular etapas e “jogar com os grandes”?
Sinto às vezes que não sou capaz. Sinto que deveria ficar em uma geladeira por um tempo para aprender e ver se realmente foi pra isso que eu nasci.
Caramba! Eu só queria ser como um cara de vinte anos, sem preocupação de influenciar ninguém e não ter riscos de ser julgado incapaz.
Por que tenho esse sentimento de grandeza? Às vezes é bom ser pequeno e admitir-se como tal. Agora estou assim: pequeno, sentando no mesmo banco em que fui tão normal e mediano. Exatamente como estou me sentindo agora.

sábado, 21 de março de 2009

Inacabado (como a vida.)

Há dias em que a vida não é vivida, porque os pensamentos não são justos. E há metafísica demais em nossas ações. Os desejos são nebulosos. As palavras contraditórias.
Há dias em que penso na inexistência. Mas logo desisto, afinal ela não existe. Então por que tentar? O nada parece mais significativo, porém é impossível significá-lo.
Há dias em que as poesias são tão intensas. E há dias em que são meras prosas. Mas qual o problema da prosa? Ela subexiste ao belo, mas ainda sim existe, resiste. E a resistência é a voz dos fortes. Aqueles que resistem às imprudências e aos indesejos da vida, para buscar a vida plena(...)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Todo

O mundo é um todo sem algumas partes. As pessoas são partes da falta de um todo. Nada é completo. Nem o todo sem partes, e principalmente, nem a parte sem o todo. É uma relação dicotômica.
Quando estamos em meio a grupos de pessoas em que o que as tornam um grupo são as semelhanças existente entre elas, somos parte de um todo. É fato, porque ninguém se mantém completo. Sempre há buracos, feridas e desejos que são tapados com gargalhadas. É mais fácil se tornar igual para ter um bom convívio que ser você mesmo e ter a chance de obter críticas. O mundo nos quer iguais, nos torna iguais. Muitas vezes somos derrotados por não assumir nosso próprio valor.
Por outro lado, quando somos únicos em um espaço, nos tornamos o todo de um todo e todas nossas partes estão em harmonia.

Seria mais fácil se todos assumissem seu todo e esquecesse a parte dos outros. Só assim o mundo seria um todo com todas as partes.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

sociedadização

Sinto-me rasgado pelo tempo. Cada dia que passa perco um pouco do que me faz diferente. Torturo-me por conformar com a perda e ignorar minhas capacidades. É ruim não ter com quem dividir incertezas sóbrias. Sinto estar em uma sociedade medíocre que valoriza só o que é normal. Onde nada adianta uma pessoa conhecer outros países se não sabe dirigir. Sim! Eu vivo em uma sociedade em que uma carteira de motorista vale mais que um passaporte carimbado. Claro que uso metáforas. Mas essa sociedade está fadada ao fracasso e à mesmice. E infelizmente estou sociedademizando-me. Estou sendo mais um. Estou perdendo minhas exigências para ser feliz. Aos poucos a droga capitalista me entorpece. O contentamento é constante presença em minha forma.
Aceitar uma colocação mediana em concurso público só porque não estou formado é um pensamento pequeno. O que diferencia o primeiro do centésimo colocado não são as especializações, mas sim a vontade de querer ser o melhor. Todo mundo nasce com a capacidade de ser o melhor. Só que a maioria prefere a sociedade e preteri o conhecimento, a individualidade e a realização.
Tenho medo. Medo de me tornar quem não sou. Volátil. Já que estou exaurindo-me no tempo.

Será que no fim vou dar gargalhada de tudo isso?

Ou vou constatar que mesmo sabendo que o tempo estava mudando não comprei um guarda-chuva?

domingo, 6 de julho de 2008

Viva la vida

Estava relendo texto esquecidos um dia desses, quando li esse que escrevi quando tinha 15 ou 16 anos. Típico para a idade. Demonstra um pouco desse conflito que é viver. E como os conflitos da vida nunca deixam de ser atuais, achei por bem colocá-lo como se estivesse escrito hoje.


Quando estamos longe de tudo e de todos, é bem mais fácil fazer análises sobre a vida, sobre aqueles que nos rodeiam e principalmente
sobre o que na verdade somos. Sinto que isso parece ser difícil mas não pelo fato de não saber, mas sim pelo fato de não querer entender. Buscamos maneiras 'ilegais' para sermos felizes. Tentamos entender o hoje, esquecer o ontem porque já passou e o amanhã importa só a quem realmente pensa em estar bem definitivamente. Sei que todos dizem que devemos viver o hoje esquecermos o ontem e não preocuparmos com o amanhã, mas o que adianta viver só o hoje e esquecer o aprendizado que tivemos durante anos? De que adianta não pensar no depois se esse depois nos fará mais humanos? Eu estou em uma fuga do mundo, onde tudo parece estranho, todos parecem diferentes, tudo esta nebuloso ao meu redor, mas por que? Não entendo como tudo parece mais complicado quando queremos realmente 'viver’... Dizem que a vida é complicada de entender, mas somos nós que negamos o aprendizado. É tudo muito simples e eu estou em meio a essa escuridão, donde sai várias pessoas mascaradas que só se preocupam com suas próprias realizações. Acho que sou diferente de tudo e de todos(..) sinto que a felicidade só depende de mim e ela está em pequenos gestos que me faz único, independente de números, estatísticas ou míseros pensamentos alheios.